quarta-feira, agosto 17, 2022
InícioCulturaLançamento do livro "Do Outro Lado, do Lado de Cá"

Lançamento do livro “Do Outro Lado, do Lado de Cá”

Lançamento do livro “Do Outro Lado, do Lado de Cá”

Roda de conversa marca lançamento do livro “Do Outro Lado, do Lado de Cá”

Evento acontece no dia 30 de abril, no auditório da Livraria da Vila com a participação de Priscilla Celeste (Do Outro Lado, do Lado de Cá”), William Reis (coordenador executivo do AfroReggae), Débora Rosa (educadora e mediadora) e Wilson Marcondes (diretor da Accenture)

No dia 30 de abril, próximo sábado, o auditório da Livraria da Vila, em São Paulo, recebe a roda de conversa “É de Todos “É de Todos: diferentes perspectivas na caminhada antirracista”. De 16h00 às 17h00, os convidados compartilham suas perspectivas sobre o papel de negros e não-negros na caminhada antirracista – na educação, no ambiente corporativo e no empreendedorismo social – com a participação do público presente.

O painel será composto por Priscilla Celeste, professora, tradutora e autora do livro “Do Outro Lado, do Lado de Cá”; William Reis, coordenador executivo do AfroReggae e empreendedor social; Débora Rosa, professora e mestra em Educação, Arte e História da Cultura e mediadora na educação formal e não-formal; e Wilson Marcondes, Diretor da Accenture, líder do programa Collor Brave e coordenador do programa Black Connections, que reúne mais de trinta empresas.

O encontro também marca o lançamento do livro “Do Outro Lado, Do Lado de Cá”, de Priscilla Celeste e Roni Munk, fotógrafo, que também são os idealizadores do encontro. O projeto da publicação nasceu com um propósito: compartilhar sua vivência como pais brancos de um menino negro e seu olhar para os dois lados: “o lado de cá”, branco e privilegiado, e “o outro lado”, dos que vivenciam o racismo.

“Nossa ideia inicial para compartilhar histórias, jornadas e perspectivas era realizar uma exposição com as fotos e as narrativas de manifestações racistas que nos foram contadas, mas entendemos, eu e Priscilla, que não somos porta-vozes dessas histórias. Mas a força e a emoção desses relatos foram fundamentais para nossa transformação pessoal. Então, o que seria uma exposição virou parte do livro”, conta Munk.

Priscilla acrescenta que “os relatos e fotos emocionam e mostram de forma contundente os impactos do racismo estrutural. O livro é um convite à autorreflexão e apenas parte de um projeto maior que envolve ações como essa roda de conversa. Com tudo isso, queremos impactar o máximo de pessoas possível para que se reconheçam em nosso processo de transformação e se sintam estimulados a iniciar sua própria jornada antirracista”.

Indesejado pela cor da pele

Priscila Celeste e Roni Munk tem cinco filhos. O caçula é Renan, um jovem negro que, atualmente, tem dezesseis anos, “nasceu na família aos dois”, e foi com a sua chegada que essa família multirracial de classe média alta começou a vivenciar, “do lado de cá”, os impactos individuais e coletivos do racismo sobre “o outro lado”.

Lançamento do livro “Do Outro Lado, do Lado de Cá”

Em 2013, a família passou por um episódio que marcou sua trajetória antirracista: Renan, com apenas sete anos, foi expulso de forma violenta de uma concessionária BMW no Rio de Janeiro. Diante dos pais, o gerente da loja disse ao menino; “Saia da loja. Aqui não é lugar pra você!”.

Esta foi uma das primeiras denúncias de racismo noticiada pelos mais importantes meios de comunicação, que ganhou as manchetes no Brasil e no exterior. O episódio é apenas um exemplo do que acontece a toda hora, em todos os cantos do país, expresso pelos depoimentos de cada um dos entrevistados e fotografados para o livro.

Entenda o caso que marcou a trajetória da família

Lançamento do livro "Do Outro Lado, do Lado de Cá"
Roni Munk e Priscila Celeste Foto: Leda Abuhab

Em janeiro de 2013, Renan, então com sete anos e o caçula de cinco irmãos, acompanhava seus pais Priscilla e Roni até a loja BMW Autocraft, uma concessionária da marca de carros de luxo que fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Interessados em um dos veículos, conversavam com o gerente da loja enquanto seu filho os aguardava numa espécie de área de espera que são comuns em lojas do setor. Até que a criança resolve ir em direção aos pais e, de repente, é abordada pelo funcionário.

“Você não pode ficar aqui dentro. Aqui não é lugar pra você. Saia da loja”, diz o gerente e, ao perceber o desconforto, ainda se justifica se dirigindo ao casal que ficou paralisado e sem entender o que acontecia. “Esses meninos pedem dinheiro e incomodam os clientes”.Lançamento do livro "Do Outro Lado, do Lado de Cá"

O casal se retirou da loja com seu filho, mas não ficaram calados, denunciaram o ato racista que foi um dos primeiros a ganhar repercussão da mídia dentro e fora do país, e também processaram a loja que, após dois anos, foi condenada por danos morais e a pagar uma indenização de 22 salários-mínimos (cerca de R$ 16 mil reais na época). O dinheiro foi doado pela família à Associação Nova Vida, instituição que apoia crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Texto: Priscilla Celeste

Fotografias: Roni Munk

Deixe uma resposta

- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments

Valéria on Funk consciente