quarta-feira, agosto 4, 2021
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Dia da Conservação do Solo: setor de tabaco avança e passa a ter 76% dos agricultores utilizando técnicas conservacionistas

Em 14 anos, parceria entre indústrias fumageiras, como a Japan Tobacco International (JTI), e produtores fez com que práticas conservacionistas sejam aplicadas em 76% das propriedades. Em 2007, esse indicador era de apenas 17%

Para garantir a continuidade da agricultura familiar e aumentar o lucro das propriedades, um dos principais recursos que precisam ser preservados é o solo. Afinal, num terreno pobre ou degradado, a produtividade das lavouras cai significativamente, além de gerar diversos impactos ambientais. Neste Dia Internacional da Conservação do Solo (15 de abril) as indústrias e produtores integrados dão o exemplo de como trabalhar em parceria é importante para disseminar boas práticas.

Sistemas de Cultivo na Cultura do Tabaco
Sinditabaco

Em 2007, o setor tinha 83% dos produtores do Sul do País utilizando o cultivo convencional de preparo da terra e apenas 17% utilizando práticas conservacionistas, segundo levantamento do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). Hoje, o quadro se inverteu e há 76% das lavouras de tabaco sendo cultivadas em áreas onde o solo é preparado com a aplicação de práticas como plantio direto e cultivo mínimo, contra 24% utilizando o convencional.

Essa mudança é importante pois no cultivo tradicional ou convencional, no qual o aporte de palha (biomassa) é muito baixo e o solo é constantemente revolvido por aração e gradagens, os danos para o solo e meio ambiente a médio e longo prazo são maiores. Isso ocorre pois o solo fica mais suscetível à erosão e a perdas de nutrientes essenciais para as plantas. Os impactos dessas ações de manejo intensivo, ano após ano, acarretam perdas de qualidade de água de mananciais, degradação do solo, assoreamento de rios e podem reduzir  a produtividade das lavouras.

Já o plantio direto e o cultivo mínimo prezam pelo mínimo revolvimento do solo e ocorre a manutenção de uma cobertura de palha – com algumas diferenças entre os dois. Eles garantem uma maior proteção da erosão e mantêm bons níveis de umidade e nutrientes.  Assim, minimizando os impactos ambientais da produção agrícola e garantindo uma sustentabilidade da lavoura. Todas essas técnicas são utilizadas em diversas culturas e em pequena, média ou larga escala.

Essa mudança só foi possível pela parceria desenvolvida entre indústrias fumageiras e os 150 mil agricultores de tabaco do Sistema Integrado de Produção de Tabaco – que garante a venda da produção e assistência técnica e financeira aos produtores. Uma dessas empresas é a Japan Tobacco International (JTI) que conta com 11 mil produtores integrados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Por meio de seus Técnicos de Agronomia, a empresa dissemina boas práticas entre os produtores com atividades de formação no Centro de Desenvolvimento Agronômico e Treinamento em Extensão Rural (ADET), visitas regulares às propriedades e orientação correta sobre o manejo do solo. Além de incentivar o plantio direto e o cultivo mínimo, são abordados a adoção de plantio em curva de nível o uso de mix de plantas de cobertura de solo, os chamados policultivo de plantas, que trazem inúmeros benefícios, como melhorias de atributos químicos, físicos e biológicos ao solo.  “Existe um aspecto cultural forte entre os produtores que parte dos seus antepassados que vieram da Europa, de se priorizar o sistema de plantio convencional, com revolvimento de solo. Porém, essa não é a melhor técnica para produção agrícola em climas tropicais. Ao longo dos anos, temos trabalhado esse aspecto e conseguido mudar a mentalidade do produtor para uma maior adesão às práticas conservacionistas, quando possível”, afirma Thiago Schuck, Supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento Agronômico da JTI. Segundo a empresa, a porcentagem de seus produtores que utilizam técnicas conservacionistas foi de 62% em 2020.

Josmar e Vanessa Niesckarz já implantaram curvas de níveis e, agora, vão passar a utilizar plantas de cobertura para melhor conservação do solo.
Junio Nunes

Esse trabalho de orientação e acompanhamento das propriedades precisa ser constante, pois o engajamento dos produtores nessas práticas pode variar a cada safra. “Como nem sempre a escolha pelas técnicas conservacionistas traz um resultado imediato, inclusive por alguns não realizarem sua correta aplicação, precisamos sempre reforçar sua importância e os benefícios que traz com o tempo”, destaca. Nos casos de agricultores que têm apenas recursos básicos de ferramentas para trabalhar o solo, como a tração animal, por exemplo, a empresa realiza um trabalho customizado. “Os equipamentos mais modernos facilitam o trabalho e adesão às técnicas conservacionistas. Porém, trabalhamos com uma diversidade de produtores que muitas vezes não têm esses recursos. Nessas situações, propomos adequações no manejo e as melhores práticas possíveis de acordo com a realidade do agricultor e da propriedade”, ressalta Schuck.

A JTI também tem investido em pesquisas para aumentar a eficiência das técnicas conservacionistas, utilizando variedades de plantas de cobertura que mudam de acordo com a estação e a região da lavoura. Essas plantas têm a função de fixar nitrogênio ao solo, como as leguminosas, outras o protegem do efeito da erosão, que é o caso das gramíneas. Elas geram um aporte de palha que é fundamental para o bom desenvolvimento das plantas e a manutenção da fertilidade dos solos agrícolas cultivados com tabaco.

Uma das propriedades que tem apostado nessas técnicas é a da família Boettcher em Águas do Chapecó, Santa Catarina. Na propriedade, a família utiliza a técnica de plantio direto com a planta de cobertura milheto no verão e aveia preta no inverno. Isso auxilia na quebra do ciclo de doenças de solo e o mantém protegido o ano todo. “No clima adverso é que a gente vê o resultado do manejo do solo e da utilização de uma boa planta de cobertura”, resume Alessandro Boettcher.

Outra propriedade que vem apostando em técnicas de conservação de solo é a dos produtores Josmar e Vanessa Niesckarz. O manejo foi fundamental para que o casal pudesse dar continuidade à produção de tabaco. Em suas terras, havia pontos onde a água empoçava, o que ocasionava o afogamento das plantas. Primeiro, eles fizeram a análise de solo, corrigindo com calcário. Após, seguindo as recomendações dos técnicos da JTI, o descompactou utilizando um subsolador de três hastes, acompanhando a curva de nível. Com um aparelho pé de galinha, fez o delineamento dos camalhões com 2% de declive. De acordo com Josmar, a curva de nível deu resultados positivos já na primeira chuva forte. “Precisava dessa melhoria para manter a sanidade das plantas e produzir um tabaco de qualidade”, destaca Josmar. O casal também vai passar a utilizar na próxima safra planta de cobertura para proteger o solo, seguindo as recomendações dos Técnico de Agronomia da empresa.

Para Roberto Macedo, Diretor de Agronomia da JTI, a adesão dos produtores às práticas conservacionistas é um sinal importante da parceria que tem sido desenvolvida entre indústria e produtores. “A sustentabilidade do nosso negócio e dos agricultores familiares depende do correto manejo do solo e da diminuição dos impactos ambientais de nossa atividade. Essa mudança de cultura demonstra que a combinação dos nossos esforços tem gerado frutos concretos que garantem benefícios para todos no curto, médio e longo prazo”, destaca. Ele ressalta que agora o desafio da JTI e do setor é seguir avançando para alcançar  100% de adesão às técnicas conservacionistas nos próximos anos.

O agricultor Alessandro Boettcher e sua família utilizam a técnica de plantio direto com a planta de cobertura milheto no verão e aveia preta no inverno.

Sobre a JTI

A Japan Tobacco International (JTI) é uma empresa internacional líder em tabaco e vaping, com operações em mais de 130 países. É proprietária global de Winston, segunda marca mais vendida do mundo, e de Camel fora dos EUA. Outras marcas globais incluem Mevius e LD. Também um dos principais players no mercado internacional de vaping e tabaco aquecido com as marcas Logic e Ploom. Com sede em Genebra, na Suíça, emprega mais de 44 mil pessoas e foi premiada com o Global Top Employer por cinco anos consecutivos. A JTI é membro do Japan Tobacco Group of Companies.

No Brasil, são mais de mil colaboradores em 10 Estados. A operação contempla a produção de tabaco – por meio de 11 mil produtores integrados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – compra, processamento e exportação de tabaco, fabricação, venda e distribuição de cigarros em mais de 20 Estados do Brasil. As marcas comercializadas são Winston, NAS, Djarum e Camel, essa última também exportada para a Bolívia e Colômbia. Em 2018, 2019 e 2020, a JTI foi reconhecida como Top Employer Brasil.

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