InícioEconomia e NegóciosSua empresa está gastando mais para cobrar do que para receber?

Sua empresa está gastando mais para cobrar do que para receber?

Com 9,3 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, especialista em direito bancário explica por que a recuperação de crédito exige análise de custos, documentação e capacidade de pagamento do devedor.

Vender, entregar e não receber compromete o caixa de uma empresa. O prejuízo, porém, pode aumentar quando as tentativas de cobrança consomem tempo e recursos sem trazer retorno. Entre negociações frustradas, honorários e despesas processuais, recuperar um crédito exige uma avaliação que vai além do valor da dívida: é preciso entender quais medidas são juridicamente adequadas e economicamente viáveis.

O cenário reforça essa necessidade. Segundo levantamento da Serasa Experian divulgado em 20 de outubro, o Brasil chegou a 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto de 2026, recorde da série histórica e alta de 14,3% em relação ao mesmo mês de 2025. As dívidas negativadas somaram R$ 244,4 bilhões.

Para Guilherme Augusto, advogado especialista em direito bancário, a decisão de recorrer à Justiça precisa considerar as perspectivas de recebimento e os custos envolvidos.

“Antes de ajuizar uma cobrança, o empresário precisa avaliar se realmente compensa. Às vezes, ele já teve o prejuízo de não receber, ainda vai gastar com custas processuais e honorários e, mesmo depois de todo esse investimento, pode descobrir que o devedor não possui bens para pagar a dívida”, explica.

Essa avaliação envolve contratos, comprovantes de entrega ou de prestação do serviço, garantias, vencimentos e informações patrimoniais obtidas por meios legais. A documentação ajuda a definir o procedimento adequado, enquanto a análise econômica permite ponderar despesas, tempo e possibilidades de recuperação.

A ausência de patrimônio penhorável pode limitar o resultado da cobrança. O artigo 921 do Código de Processo Civil prevê a suspensão da execução quando não são localizados o devedor ou bens penhoráveis. Também estabelece regras para a prescrição intercorrente, que pode levar à extinção do processo, observados os requisitos legais. Assim, uma decisão favorável não garante, por si só, o recebimento imediato.

As medidas extrajudiciais também devem integrar a estratégia. Notificações, negociações formalizadas e protestos, quando cabíveis, são alternativas que precisam ser avaliadas conforme a documentação e as particularidades da dívida.

“Nem toda dívida precisa ir para a Justiça. Dependendo do caso, uma notificação extrajudicial, um protesto ou uma negociação bem conduzida podem trazer resultado sem que o empresário precise arcar imediatamente com as despesas de um processo”, afirma Guilherme Augusto.

Dentro da empresa, acompanhar vencimentos, registrar contatos e definir responsáveis pela cobrança ajuda a identificar atrasos e organizar providências. A orientação jurídica pode apoiar essa rotina, avaliar propostas de acordo e indicar quando o encaminhamento judicial se justifica. A escolha deve considerar a realidade de cada negócio, sem presumir que uma mesma solução funcionará para todos os devedores.

“Muitas vezes, o empresário acredita que contratar uma assessoria jurídica será mais uma despesa para a empresa. Mas ele precisa colocar na ponta do lápis quanto já perdeu com clientes inadimplentes e quanto gastou tentando recuperar essas dívidas. Dependendo da realidade da empresa, esse acompanhamento pode sair muito mais barato”, conclui o advogado.

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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