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O espetáculo “Maria Firmina dos Reis ,presente !”,está em cartaz em São Paulo

Maria Firmina dos Reis, presente ! é um drama lítero-musical, em cena, a atriz Lena Roque, o pianista Roberto Mendes Barbosa e o percurssionista André Gonçalves com duração de 60 minutos.
Peça-invocação da presença da negra Maria Firmina dos Reis, autora do
romance “Úrsula” (1859), onde os pensamentos de seus textos e poemas são
corporificados, em uma reconstrução poético-ficcional do que seria um
encontro do público, com a escritora e professora maranhense falecida em
1917. O que se busca é um entrelaçamento de pensamento entre passado,
presente e futuro, com o objetivo de criar expansão e reconstrução de uma
imagem viva de Maria Firmina dos Reis, hoje, apontando para o amanhã. Pois,
como bem disse a escritora e jornalista Eliana Alves Cruz (prêmio Jabuti, com o conto   “A Vestida”) “o amanhã é pra ontem”.
No caso de Maria Firmina dos Reis (1825-1917), tudo é relevante, porque tudo
é novidade. Negra, filha de uma ex-escravizada, foi esquecida e invisibilizada,
mesmo tendo sido a primeira escritora abolicionista da Brasil. Ela que escreveu
e viveu uma refutação a “Cartas a Favor da Escravidão” de José de Alencar,
representando uma ideia de Brasil livre do escravismo em todas as suas
nuances, se propôs a pensar nova maneira de imaginar as coisas no séc. XIX,
onde as correntes e açoites da escravidão pudessem deixar de flagelar os
corpos negros.
Na peça o uso da performance da memória é um dos elementos que compõe a
textualidade negra. Explicitamos um passado que ainda não passou, puxando
os fios do passado a partir do nosso cotidiano, Brasil 2023, Séc. XXI, e seu
legado de opressão. Contudo, Maria Firmina dos Reis, Presente! é bem mais
do que uma peça-manifesto, é a exposição de uma vida através do rastro
harmônico de seus escritos e pensamentos.
A dramaturgia se apresenta como escrita poética dramática , acrescida de livre
adaptação dos textos de Maria Firmina dos Reis, é assinada por Lena Roque,
que também assina a direção do espetáculo ( atriz com 37 anos de atuação,
diretora, dramaturga e roteirista, formada em Artes Cênicas pela ECA/USP) e
Marcelo Ariel (poeta, ensaísta e teatrólogo), abarca uma gramática cênica
sobreposta por camadas de signos, apresentando sequências imagéticas, onde
as cenas propostas falam por si mesmas já que estão carregadas de
significado, assim como a poesia e textos em prosa retirados do universo
literário de Maria Firmina dos Reis, “conversando” com citações, dados
históricos, além de depoimentos pessoais, em interligação com fundamentos
da ancestralidade que vive em nós, povo negro. É uma escrita contemporânea.
A concepção cênica é minuciosa, cada elemento foi pensado e repensado,
onde tudo conta: música, percussão, poemas, figurinos e objetos cênicos.
Os figurinos e o espaço cênico são projetos de Paula de Paoli (figurinista,
cenógrafa, arquiteta de formação). Flertarmos com o afro-punk (adereços
usados pela personagem), com o folclórico nas danças, painel de led, usada na
comunicação comercial (venda de produtos). Nada é aleatório. O uso de
conceitos do teatro narrativo, do sarau, da performance e do teatro-dança,
pensando em apresentar uma instalação cênica a partir dos elementos
dispostos. A direção de corpo e voz está a cargo de Jorge Balbyns (bailarino,
ator e diretor). Há abertura à participação do público, se quiserem participar
poderão, interagindo com a personagem, sendo réplica na leitura de textos de
Maria Firmina dos Reis em cena. Lena Roque conta e canta a vida de Maria Firmina dos Reis dentro de um contexto que podemos chamar de ‘poema cênico-musical’, tendo como ênfase a atualidade do pensamento e força política da vida-obra de Maria Firmina dos Reis, acompanhada ao piano pelo músico Roberto Mendes Barbosa (pianista,cantor, compositor, maestro). Seu pensamento é explicitado no espetáculo pelo corpo presente da atriz, e pode vir a contribuir para uma desconstrução da invisibilidade de sua literatura e estereótipos racistas, ainda em vigência nos dias de hoje.


O espetáculo tem ainda a participação via locução off das escritoras/intelectuais negras, Cidinha da Silva ( “Um Exú em Nova York”,
“Sobre-Viventes”, “Os Nove Pentes d’África” entre outros), Eliana Alves Cruz
(“Água de Barrela”, “O Crime do Cais Valongo”, “Nada Digo de Ti, Que em Ti
Não Veja”, entre outros) e Luciana Diogo (“Maria Firmina dos Reis, Vida
Literária”), elas fazem perguntas numa interlocução com Maria Firmina dos
Reis, buscando imaginar como poderia ser uma conversa nos dias de hoje,
com esta grande mulher negra, nossa mais velha na vida e na arte.
Assim, só resta dizer, viva : Maria Firmina dos Reis, Presente!

Serviço  Completo:

Espetáculo : Maria Firmina dos Reis  ,presente !

Local: Itaú Cultural – Av Paulista 149  Bela Vista

Temporada –  19, 20, 21, 22, outubro 2023

Horário: Quinta a Sábado 20hs e  Domingo 19hs

Gratuito 

 

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