
O jornalista e escritor J. A. Dias Lopes lança “Caipirinha – Origem de um Símbolo da Identidade Cultural Brasileira”, obra que investiga as raízes históricas do mais emblemático coquetel brasileiro e reconstrói sua trajetória até tornar-se um dos grandes ícones nacionais, ao lado do samba e do futebol.J. A. Dias Lopes é jornalista e escritor especializado em gastronomia e cultura alimentar, com atuação reconhecida na imprensa brasileira.
Resultado de ampla pesquisa histórica e cultural, o livro sustenta que a origem da caipirinha remonta ao interior paulista, na atual Região Metropolitana de Piracicaba, durante a pandemia da Gripe Espanhola, entre 1918 e 1920. Segundo o autor, a bebida nasceu a partir de uma adaptação popular de um remédio caseiro preparado com limão, alho, mel e água, posteriormente substituída pela cachaça, utilizada à época como antídoto contra os sintomas gripais.
Com o passar dos anos, a mistura deixou de ser medicinal e passou a ocupar espaço na cultura popular brasileira. O alho foi eliminado da receita, enquanto o mel deu lugar ao açúcar cristal, consolidando uma combinação marcada pelo equilíbrio entre acidez, dulçor e potência alcoólica.
A obra dedica especial atenção ao processo de refinamento e popularização da caipirinha em São Paulo nas décadas de 1940 e 1950, período em que o coquetel passou a ganhar projeção nacional e internacional. A bebida incorporou elementos hoje considerados clássicos no preparo — como o uso de gelo, limão sem sementes e copo apropriado — tornando-se símbolo da hospitalidade e da tropicalidade brasileira.
O livro também percorre a expansão cultural do coquetel por cidades como Santos e Rio de Janeiro, além de reunir relatos de personalidades internacionais e brasileiras que apreciaram a bebida ao longo das décadas. Entre elas estão Luciano Pavarotti, Juan Carlos I, François Mitterrand, Oscar Niemeyer, Pablo Neruda e Jorge Amado.

Reconhecida internacionalmente, a caipirinha consolidou-se como um dos coquetéis mais consumidos do mundo e um dos principais cartões-postais da cultura brasileira no exterior. A publicação revisita essa trajetória sob uma perspectiva histórica, social e gastronômica, reforçando o papel da bebida como patrimônio afetivo e cultural do país.
O bartender Clayton Azevedo, do Bar Desembargador de São Paulo, preparou as caipirinhas que ilustram a capa e o livro internamente.
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