Projeto vencedor da categoria Cozinha para Receber CASACOR no 29º Prêmio Deca – Casa Veredas Simonetto, de Gabriel Fernandes (GF Estúdio 55). Foto: Denilson Machado
Em sua 29ª edição, premiação destaca profissionais e estudantes que apontam novos caminhos para o morar contemporâneo e inaugura categoria dedicada à arquitetura sustentável
A arquitetura brasileira atravessa um momento de transformação, em que projetar espaços vai muito além de criar ambientes visualmente marcantes. A relação com a natureza, o uso consciente dos recursos, o bem-estar e a valorização dos territórios passaram a ocupar um papel central nas decisões de projeto. Esse movimento esteve entre os principais destaques da 29ª edição do Prêmio Deca, realizado no último dia 27 de agosto de 2026.
Reconhecida como uma das principais premiações de arquitetura e design do país, a iniciativa reuniu profissionais, estudantes e representantes do setor para celebrar projetos que traduzem diferentes maneiras de morar, receber e conviver. Entre os trabalhos vencedores, aparecem propostas que exploram materiais naturais, iluminação, integração com a paisagem, experiências sensoriais e soluções capazes de gerar impactos positivos para as pessoas e para o meio ambiente.
Um dos momentos de destaque desta edição foi a criação da categoria Destaque da Arquitetura Sustentável, criada para reconhecer projetos, obras e profissionais que desenvolvem soluções inovadoras com impacto ambiental e social positivo.
O primeiro reconhecimento da nova categoria foi concedido à Rosenbaum Arquitetura, escritório liderado por Marcelo Rosenbaum, por uma trajetória que aproxima identidade brasileira, conhecimento tradicional, responsabilidade ambiental e valorização dos territórios.
“Receber o Prêmio Deca na estreia da categoria Destaque da Arquitetura Sustentável amplia uma discussão essencial para o nosso campo. Sustentabilidade envolve escolhas técnicas, mas também passa pelo respeito aos territórios, aos saberes e às pessoas. A arquitetura ganha relevância quando transforma esses elementos em soluções capazes de gerar impacto positivo”, afirma Marcelo Rosenbaum.

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Projeto vencedor da categoria Cozinha para Receber CASACOR no 29º Prêmio Deca – Casa Veredas Simonetto, de Gabriel Fernandes. Foto: Denilson Machado
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Uma arquitetura mais conectada às pessoas e aos territórios
Embora apresentem diferentes escalas, linguagens e contextos, os projetos premiados têm em comum uma preocupação crescente com a experiência humana e a relação entre construção e território.
A presença de madeira, fibras naturais, vegetação, iluminação natural e materiais de menor impacto aparece em diferentes trabalhos. Ao mesmo tempo, os projetos exploram ambientes integrados, espaços de convivência e soluções que estimulam uma relação mais sensorial com a arquitetura.
Na categoria Cozinha para Receber CASACOR, a vencedora foi a Casa Veredas Simonetto, de Gabriel Fernandes, do GF Estúdio 55. O projeto combina referências contemporâneas e tropicais, utilizando madeira ripada, fibras naturais e vegetação para criar uma atmosfera acolhedora.

Projeto vencedor da categoria Cozinha para Receber Residencial no 29º Prêmio Deca – Apê Tamarindo, por Camila Stump e Nabila Sukrieh (Estúdio Minke). Foto: Maura Mello
Já o Apê Tamarindo, de Camila Stump e Nabila Sukrieh, do Estúdio Minke, vencedor na categoria Cozinha para Receber Residencial, estabelece uma conexão direta entre cozinha, paisagismo e áreas de convivência. Concreto aparente, instalações expostas e madeira ajudam a construir a identidade do espaço.
Na categoria Refúgio de Bem-estar CASACOR, o projeto Ecos Brandos, de Bezerra Panobianco Arquitetura, parte da ideia da casa como lugar de memória e reconexão. A luz natural, a paisagem e a continuidade dos materiais criam uma atmosfera de acolhimento e simplicidade.
“Ecos Brandos nasceu do desejo de pensar a casa como um lugar que acolhe histórias, memórias e sonhos. O projeto valoriza a luz natural, a paisagem e a continuidade dos materiais para criar uma atmosfera conectada ao essencial”, afirmam Expedito Bezerra e Lucas Panobianco.
Natureza como parte do projeto
A relação com o ambiente também aparece de maneira marcante em projetos que incorporam a paisagem como elemento arquitetônico.
No Apartamento Arpoador, vencedor da categoria Refúgio de Bem-estar Residencial, João Panaggio utiliza uma claraboia sobre a banheira para transformar a luz natural em protagonista da sala de banho. A solução cria uma conexão direta entre o ambiente interno e o céu, fazendo com que a iluminação se transforme ao longo do dia.
Na categoria Revelação da Arquitetura, o escritório Azul Pitanga, formado por André Moraes e Carolina Mapurunga, foi reconhecido pelo trabalho desenvolvido na Casa Catimbau.
O projeto estabelece uma relação direta com a paisagem, a cultura local e o contexto regional. A bioconstrução, a taipa de pilão, os volumes fragmentados e as coberturas leves fazem parte de uma proposta que busca utilizar técnicas e materiais de maneira coerente com o território.
Além dos materiais de baixo carbono, a residência incorpora soluções relacionadas ao uso consciente da água.
“A arquitetura atua como mediadora para coexistir com o território, sem tentar domesticá-lo”, comentam os arquitetos.
Sustentabilidade que ultrapassa os materiais
A nova categoria do Prêmio Deca também amplia o entendimento sobre o que significa construir de maneira sustentável.
No trabalho da Rosenbaum Arquitetura, reconhecido com o prêmio de Destaque da Arquitetura Sustentável, a sustentabilidade aparece associada à cultura, à participação coletiva e ao conhecimento dos territórios.
Um dos projetos que traduz essa abordagem é Moradas Infantis Canuanã, desenvolvido para a Escola Fazenda Canuanã, em Formoso do Araguaia, no Tocantins.
A proposta transformou antigos alojamentos em espaços mais próximos da escala de uma casa, a partir da escuta de estudantes e educadores. Os ambientes de descanso, estudo e convivência são organizados ao redor de pátios com vegetação local.
A estrutura utiliza madeira laminada colada e tijolos de solo-cimento produzidos com terra da própria fazenda, contribuindo para o conforto térmico e para a redução do impacto da construção. O projeto também considera o ciclo natural das águas da região, com um sistema de drenagem que conduz as águas pluviais ao rio Javaé.
Design, inovação e novos usos
A premiação também evidencia que inovação não está necessariamente associada à complexidade tecnológica. Em alguns projetos, ela aparece na criação de soluções simples para necessidades cotidianas.

Projeto vencedor da categoria Design para Ver e Viver no 29º Prêmio Deca – Flow Go, de Bete Said
É o caso do Flow Go, de Bete Said, vencedor da categoria Design para Ver e Viver. O sistema portátil de banho foi desenvolvido para situações de uso fora dos espaços construídos, podendo ser utilizado em praias, acampamentos, trilhas, práticas esportivas e também nos cuidados com animais.

Projeto vencedor da categoria Refúgio de Bem-estar CASACOR no 29º Prêmio Deca – Ecos Brandos, do Bezerra Panobianco Arquitetura, de Expedito Bezerra e Lucas Panobianco. Foto: Estúdio NY18
Na categoria Viver Ambientes, a Cozinha Alento, de Max Frischmann e Caroline Manzotti, do Frischmann Manzotti Arquitetos, parte do ritmo acelerado das grandes cidades para criar um espaço voltado à pausa e à convivência.
Madeira, elementos vazados, estrutura marcada no teto e uma bancada suspensa organizam o ambiente sem comprometer sua fluidez. O projeto reúne soluções das marcas Deca, Portinari e Duratex.
Novos talentos também ganham espaço
O Prêmio Deca mantém ainda uma categoria dedicada aos estudantes, reforçando o papel da premiação na descoberta de novos profissionais para o mercado.
O Pure Drop, de André Ricardo de Oliveira, venceu em Design para Ver e Viver. O projeto propõe um sistema de lavatório que capta, filtra e armazena a água utilizada na cuba para posteriormente abastecer a caixa acoplada do vaso sanitário.
Inspirado nos princípios da economia circular, o sistema dá um novo destino à água dentro da residência, reduzindo o desperdício.
Na categoria Refúgio de Bem-estar, Sala de Banho Semente, de Gabriel Peres, utiliza elementos arquitetônicos e materiais para criar uma experiência relacionada à natureza. Já a Cozinha Nexus, de Luanda Leite, vencedora de Viver Ambientes, propõe a integração entre cozinha, sala de jantar, estar e paisagem, transformando o preparo dos alimentos em uma experiência de convivência.
Uma experiência internacional
Além do reconhecimento, os vencedores recebem oportunidades que ampliam a experiência profissional.
Os vencedores do grupo Profissionais participarão de uma experiência internacional em Londres, referência mundial em arquitetura, design e economia criativa. Os autores da Cozinha Alento também terão a oportunidade de assinar um espaço exclusivo na Casa Dexco, em 2027.
Entre os estudantes vencedores, a premiação inclui vouchers no valor de R$ 20 mil.
Para Marina Crocomo, diretora de Marca, Canais e Consumidor da Dexco, os projetos apresentados nesta edição ajudam a revelar mudanças na maneira como os brasileiros compreendem seus espaços.
“Os projetos vencedores desta edição mostram uma arquitetura cada vez mais conectada ao bem-estar, à sustentabilidade e à construção de vínculos entre pessoas, espaços e territórios. São trabalhos que traduzem diferentes formas de pensar o morar contemporâneo e demonstram a diversidade da produção brasileira”, afirma.
Os vencedores da 29ª edição
Grupo Profissionais
- Cozinha para Receber CASACOR: Gabriel Fernandes (GF Estúdio 55) — Casa Veredas Simonetto
- Cozinha para Receber Residencial: Camila Stump e Nabila Sukrieh (Estúdio Minke) — Apê Tamarindo
- Design para Ver e Viver: Bete Said — Flow Go
- Refúgio de Bem-estar CASACOR: Bezerra Panobianco Arquitetura — Ecos Brandos
- Refúgio de Bem-estar Residencial: João Panaggio — Apartamento Arpoador
- Viver Ambientes: Max Frischmann e Caroline Manzotti (Frischmann Manzotti Arquitetos) — Cozinha Alento
- Revelação da Arquitetura: André Moraes e Carolina Mapurunga (Azul Pitanga) — Casa Catimbau
- Destaque da Arquitetura Sustentável: Rosenbaum Arquitetura — Moradas Infantis Canuanã
Grupo Estudantes
- Design para Ver e Viver: André Ricardo de Oliveira — Pure Drop
- Refúgio de Bem-estar: Gabriel Peres — Sala de Banho Semente
- Viver Ambientes: Luanda Leite — Cozinha Nexus

Projeto vencedor da categoria Refúgio de Bem-estar Residencial no 29º Prêmio Deca – Apartamento Arpoador, de João Panaggio. Foto: Juliano Codoleti/MCA Estúdio

Projeto vencedor da categoria Viver Ambientes no 29º Prêmio Deca – Cozinha Alento, Max Frischmann e Caroline Manzotti (Frischmann Manzotti Arquitetos – FMA)

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Vencedor da categoria Revelação da Arquitetura no 29º Prêmio Deca – Casa Catimbau – Azul Pitanga, de André Moraes e Carolina Mapurunga
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Vencedor da categoria Destaque da Arquitetura Sustentável no 29º Prêmio Deca – Projeto Moradas Infantis Canuanã por Rosenbaum Arquitetura
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Projeto vencedor da categoria Design para Ver e Viver no grupo Estudantes do 29º Prêmio Deca – Pure Drop, de André Ricardo de Oliveira

Projeto vencedor da categoria Refúgio de Bem-estar no grupo Estudantes do 29º Prêmio Deca – Sala de Banho Semente, de Gabriel Peres

Projeto vencedor da categoria Viver Ambientes no grupo Estudantes do 29º Prêmio Deca – Cozinha Nexus, de Luanda Leite
Realizado pelo DEXperience, programa de relacionamento da Deca voltado a arquitetos, designers de interiores e especificadores, o Prêmio Deca chega à sua 29ª edição como uma das principais iniciativas de reconhecimento da arquitetura e do design de interiores no Brasil.
O programa também contempla as marcas Portinari, Duratex, Durafloor, Castelatto e Ceusa. Em 2026, Portinari e Duratex participaram como marcas apoiadoras na categoria Viver Ambientes.
Com quase 80 anos de trajetória, a Deca integra a Dexco e atua no desenvolvimento de produtos para ambientes que combinam design, qualidade e inovação. A empresa também possui atuação internacional, com exportações para diferentes mercados.
Mais do que reconhecer projetos, a premiação evidencia movimentos que ajudam a desenhar o futuro da arquitetura brasileira: uma produção que busca equilibrar estética, funcionalidade, responsabilidade ambiental e, sobretudo, a relação das pessoas com os espaços que habitam.



