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Em 100 dias de angústia

Em 100 dias de angústia

Em 100 dias de angústia, o ACNUR está focado em proteção e abrigamento para pessoas ucranianas

Este é um resumo do que foi dito por Karolina Lindholm Billing, Representante do ACNUR na Ucrânia – a quem o texto citado pode ser atribuído – no briefing de imprensa de hoje no Palácio das Nações, em Genebra.

Genebra, 3 de julho de 2022 – Passei as últimas semanas em Kyiv, Poltava, Dnipro, Zaporizhia, e agora em Vinnytsia, encontrando pessoas deslocadas internamente, autoridades locais, serviços de emergência e voluntários nas comunidades de acolhida.

A situação é muito fluida e as perspectivas para as vítimas inocentes desta guerra brutal e sem sentido são frágeis.

As pessoas ainda estão fugindo dos combates, outras permanecem nos locais para onde conseguiram fugir nos últimos 100 dias, sendo que algumas já estão voltando para reconstruir suas casas. Também conheci algumas pessoas que haviam retornado para seus lares e depois decidiram que era inseguro, tendo que fugir novamente.

Em Dnipro, vi ônibus chegando com pessoas que haviam sido evacuadas de locais como Bahamut. Elas estavam visivelmente fracas e abaladas. A maioria das pessoas que chegavam eram idosas, tinham dificuldade para andar sozinhas e precisavam de ajuda. São pessoas com quase nada.

Para algumas pessoas, esta é a segunda vez que fogem para salvar suas vidas desde 2014. Elas precisam de apoio humanitário imediato e de emergência: algum lugar para dormir, roupas, itens de higiene, alimentos, assistência em dinheiro e – principalmente – primeiros socorros e acompanhamento psicológico.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem assistido até agora, com parceiros, mais de 1,2 milhão de pessoas em toda a Ucrânia. Isso inclui 233 mil pessoas que foram atendidas com orientações e serviços de proteção; 500 mil com itens essenciais como colchões, cobertores e lâmpadas solares em áreas sem eletricidade; e 73.400 pessoas que receberam assistência vital por meio de comboios humanitários em áreas duramente atingidas.

Também aumentamos a capacidade de acomodação de 182 centros coletivos e de acolhida, para que as pessoas que acabaram de fugir tenham um lugar digno e quente para dormir por um curto período.

Em 100 dias de angústia

Esta semana falei com muitas pessoas deslocadas internamente que estão vivendo em instalações temporárias de acolhida. Hoje à noite eles têm um lugar quente para dormir, mas não sabem sobre o amanhã ou dos próximos meses. Como disse uma mulher idosa deslocada que conheci ontem na vila de Koziatin: “Nossa principal pergunta é: ‘para onde ir agora?’”. Ela sabia que a estadia deles naquele centro de acolhida seria temporária.

Em Dnipro, conheci Iryna, de 60 anos, no dormitório da Academia Estadual de Educação Física e Esportes.

Ela havia fugido com seu marido, filha, genro e seus dois filhos do bombardeio em Kharkiv. A família tem tentado encontrar um apartamento para alugar em Dnipro, mas estão lutando para ter condições financeiras para o acomodar no orçamento.

Iryna disse: “Todos nós queremos ir para casa, mas Kharkiv ainda é uma área perigosa. E, por causa das crianças, não podemos retornar. Um de meus netos já começou a ter reações neurológicas ao estresse – seu rosto às vezes fica torto”.

Em um dormitório em Poltava, conheci pessoas que haviam retornado a Kharkiv, apenas para depois descobrir que ainda não era possível começar a reconstrução de sua casa ou retomar o trabalho, então eles voltavam – novamente – para Poltava.

Enquanto continuamos tentando alcançar aqueles que se encontram em abrigos antibombas em áreas sob forte bombardeio com assistência de emergência, também estamos ampliando o apoio para ajudar as pessoas deslocadas a médio e longo prazo, para lançar as bases para a recuperação e soluções duradouras.

O apoio de proteção deve estar no centro de nossa resposta, pois os riscos e as necessidades estão aumentando. Todas as pessoas estão traumatizadas. O acompanhamento psicossocial é essencial para a recuperação e as demais necessidades são enormes. Alguns fugiram sem sua identidade ou documentos civis e precisam de ajuda para documentação para que tenham acesso a serviços e possam garantir seus direitos. Os riscos de exploração, abuso e estratégias de sobrevivência também estão aumentando à medida que a miséria aumenta.

Várias pessoas com quem falei me disseram daqueles que retornam a suas casas, mesmo na região de Luhansk, que simplesmente não podem arcar com as despesas de deslocamento.

O ACNUR também está desenvolvendo programas que ajudarão as pessoas com casas danificadas a reparar telhados, janelas, portas e paredes. Nas regiões de Donetsk e Luhansk, assim como em áreas ao redor de Kyiv, fornecemos kits de abrigo de emergência para evitar que a chuva vá para dentro. Até agora, 24.300 residências receberam kits de abrigo.  Em 100 dias de angústia

Também estamos trabalhando para apoiar a reforma e readequação de edifícios que podem ser transformados em centros coletivos de abrigamento no médio prazo, para as pessoas que precisam se mudar dos centros de acolhida temporários, mas não podem se dar ao luxo de alugar um apartamento. Mas isto não será suficiente.

O inverno está chegando e os invernos na Ucrânia são brutais. Ter um lugar aquecido, seguro e digno para ficar salvará vidas. Portanto, o ACNUR, atuando na liderança humanitária em abrigamento e kits não alimentícios, está preparando com parceiros uma visão geral dos tipos específicos de apoio que as famílias em situação de maior vulnerabilidade precisarão neste inverno para complementar a outra assistência que as autoridades nacionais, a ONU e nossos parceiros humanitários estão fornecendo.

Nota para editores no Brasil

O ACNUR internacional dispõe de uma página (em inglês) com atualizações sobre os números da situação na Ucrânia, infográficos e publicações, disponível em https://data.unhcr.org/en/situations/ukraine.

O ACNUR Brasil lançou uma página específica sobre a situação do contexto na Ucrânia, disponível em www.acnur.org/portugues/emergencias/ucrania.

O mais recente episódio do podcast Refúgio em Pauta analisa o contexto da Ucrânia com participação de professores da Cátedra Sérgio Vieira de Mello e junto a um ucraniano que veio com sua família para o Brasil. O episódio está disponível nos principais agregadores de podcast, como o Spotify.

Para ler o texto completo no site do ACNUR, clique aqui

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