terça-feira, setembro 27, 2022
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Duas vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, militar que foi ex-menino de rua quer continuar salvando vidas


Carlos Roberto dos Santos, conhecido no Brasil e no exterior como Carlinhos Pró Menor, há 37 anos realiza trabalhos sérios de responsabilidade social, o que já rendeu a ele as principais comendas e honrarias do país, com destaque para duas indicações ao Prêmio da Paz, no grupo da América Latina, em 2010 e 2011.

Suboficial da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB), e pedagogo de formação acadêmica, Carlinhos fundou o Instituto Pró Menor, em 1985, na Base Aérea do Galeão, a partir da sua história de vida, repleta de sofrimento e superação. Nascido em Cataguases, no interior de Minas Gerais, se mudou para o Rio com os seus pais e o irmão mais novo quando ainda eram bebês. A família veio morar num barraco, localizado na última palafita na comunidade da Nova Holanda, em Bonsucesso, e pouco tempo depois sua mãe faleceu.

O seu pai deixou as crianças com uma vizinha, dizendo que os buscaria em uma semana, porém nunca mais voltou. Sem condições de criar os dois irmãos, ela entregou a custódia deles para a antiga Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem). Lá, Carlinhos cresceu sem conhecer nada sobre as suas origens e foi separado do seu irmão, somente o reencontrando anos depois.
Ao longo de sua infância e adolescência, colecionou fugas dos orfanatos da Funabem para ficar nas ruas do Rio, usando drogas com os colegas, pois os maus tratos eram constantes e deixaram marcas que despertaram nele a vontade de transformar sua história.

No início da década de 80, após receber uma bolsa de estudos de apenas três meses num curso pré-militar, sua vida mudou de rumo quando foi aprovado na Escola de Especialistas da Aeronáutica, conquistando uma das 500 vagas ao se classificar em 20° lugar no concurso, disputado por mais de 35 mil candidatos de todo o país. Já formado Sargento, voltou à Funabem para visitar os internos e tomou a importante decisão de se dedicar na valorização da educação e inclusão social, buscando salvar vidas e dar dignidade para quem precisa.

“A educação mudou a minha vida e percebi que eu poderia mudar a vida de outras pessoas com dificuldades iguais às que eu passei. Decidi que era preciso me dedicar e contribuir na recuperação daqueles jovens em situação de vulnerabilidade, porque se eu consegui, eles também conseguiriam”.


Por suas ações sociais presentes em mais de 18 estados do país, mais de 50 mil jovens carentes já tiveram suas vidas transformadas, através de bolsas de estudo em universidades, cursos profissionalizantes e encaminhamento ao mercado de trabalho. Tudo isso, nenhum tipo apoio financeiro público ou privado. Somente com o apoio de parceiros com grande visão social.

– Conheci a pobreza extrema, sei o que é passar necessidades e também sei o que precisamos fazer para superar esses obstáculos, lutando por igualdade e inclusão social. Não podemos prometer milagre, mas podemos prometer trabalhar muito para melhorar a vida do povo do Rio – afirmou Carlinhos.

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